Baby Led Weaning – o que é?

BLW

Baby Led Weaning – o que é?

Segundo a nossa especialista, Enf.ª Maria Fernandez, “de uma forma resumida, o Baby Led Weaning (BLW) é uma abordagem de introdução dos alimentos aos bebés, da forma mais natural para eles, na qual os próprios bebés vão dirigir o processo desde o início, em autorregulação, com inúmeros benefícios para eles e para a família, incentivando a autonomia e respeitando o seu ritmo e as suas escolhas no momento da refeição. O BLW é algo já muito natural noutros países, enquanto abordagem alternativa à tradicional, e com benefícios evidentes.

Há alguns países onde o BLW está perfeitamente integrados nos hábitos familiares: Inglaterra, Espanha, Austrália, Países Nórdicos e em tantos outros. Em Espanha, por exemplo, os pais saem da consulta do pediatra com um folheto que contém explicações sobre a opção tradicional e o BLW, para que escolham qual preferem: a tradicional (a dos triturados), o BLW, ou um misto de ambas.

O BLW é algo que, para mim, faz todo o sentido, sobretudo porque, no meu contacto diário, profissional, com as famílias, percebi que havia algo no método tradicional que não resultava e que havia que mudar. Continua a recomendar-se que as nossas crianças comam o mesmo que há trinta anos. O método tradicional deu resposta, durante muitos anos, a problemas que havia então, como a fome e a consequente desnutrição. Mas é difícil crescer saudável com pratos cheios de farinhas refinadas, gorduras hidrogenadas e açúcar, nas suas várias formas. O BLW e estas abordagens mais inovadoras vêm dar resposta aos problemas e carências mais atuais, nas sociedades mais desenvolvidas. Por isso, as famílias procuram estas abordagens mais recentes, como o BLW, porque sentem que dão resposta ao que os bebés de hoje precisam. Cada vez mais, as pessoas procuram abordagens que as protejam das doenças e da obesidade, e que sejam mais sustentáveis. 

Em termos de parentalidade, os pais olham para o bebé como alguém único, que tem necessidades e precisa de estímulos exclusivos. Por isso, querem aprender a ler os seus bebés e perceber do que eles precisam, em cada momento, para crescerem saudáveis. E o BLW é uma forma de apresentar os alimentos aos bebés na qual é o bebé que nos guia, conforme os sinais de fome e de saciedade que sente, e não conforme os critérios rígidos dos pais: é o próprio bebé que vai dizendo quando tem fome e quando começa a ficar satisfeito. É uma forma de alimentar, baseada no respeito pelos instintos do bebé, e que fomenta também a sua autonomia. Porque os pais têm todo o interesse em que os bebés desenvolvam as suas capacidades ao máximo e este método ajuda-os também nesse sentido.

Esta autorregulação acontece ao nível da quantidade, na medida em que é o bebé que controla os seus próprios sinais de fome e saciedade, mas existe também a crença de que o bebé sabe do que precisa, por instinto. Por exemplo, as famílias dizem-me várias vezes que os seus bebés, com apenas 6 meses, mostram especial preferência por certos alimentos, como o frango ou o ovo, que são ricos em ferro – um micronutriente do qual os bebés precisam imenso aos 6 meses. E se os deixarmos decidir o que vão comer em maior quantidade, eles vão guiando os pais, no sentido de lhes dizer do que mais precisam, nesse momento. E com um ano, quando começam a andar e a ter mais gastos de energia, normalmente, dão preferência às massas ou arroz, que são alimentos que aportam importantes quantidades de energia. Este método também tem uma outra vantagem, que é o de fomentar a confiança dos pais no bebé. Contudo, há uma ressalva que devo fazer: os pais devem apresentar aos bebés refeições equilibradas, em termos de nutrientes. Por isso, esta abordagem é tão interessante, porque também leva os pais a quererem aprender mais sobre a alimentação dos filhos, e acaba por acontecer uma mudança alimentar positiva em toda a família. Daí existir um curso para esse efeito, associado à escolha do BLW como método de alimentação. Há quem ache que o BLW é o método do ‘vale tudo’, mas não podiam estar mais enganados: o BLW promove a autonomia e a autorregulação, mas acima de tudo o equilíbrio de nutrientes e um comportamento alimentar saudável.

Na minhas consultas e cursos no Bebé da Mamã ensino os pais a tirar o melhor partido do BLW. Sobretudo, foco-me em como apresentar os alimentos ao bebé, de forma equilibrada, mas também segura. Segura, porque aprendem sobre as medidas básicas de segurança, e assim, não existe maior risco de engasgamento do que no método tradicional. E também porque não pode faltar energia. Ou seja: o bebé não pode ficar menos alimentado do que se comesse uma papa; e não pode faltar ferro, que é algo essencial aos 6 meses, entre outros nutrientes fundamentais. Hoje em dia, as recomendações, a nível internacional, dizem que não há um alimento melhor do que o outro para começar a introdução da alimentação complementar, mas o ferro tem que ser uma prioridade. E é essencial que os pais tenham isso presente: A segurança, o aporte de energia, o ferro e existir variedade de oferta de hortofrutícolas. Ou seja, também tem de haver sempre um legume ou uma fruta no prato do bebé.

Na minha experiência, os bebés que são alimentados através da abordagem BLW têm realmente uma apetência muito grande por vegetais e por fruta. Mas a evidência científica também afirma isso: com 2 anos, estes bebés têm maior apetência natural por um leque maior de hortofrutícolas. Vejo o entusiasmo nas crianças mais velhas, ao apreciarem alimentos saudáveis no seu estado natural, frescos e sazonais, pela variedade e na forma em que lhes foram apresentados com 6 meses.

O momento da refeição deve ser um momento de aprendizagem e de amor. O momento em que olhamos para os olhos dos nossos bebés e das nossas crianças e temos uma conversa agradável. A OMS diz isso mesmo e eu não podia concordar mais, apesar de parecer que tal não se coaduna com os tempos em que vivemos, em que andamos todos com pressa. Se olharmos para uma abordagem mais tradicional, o mote normalmente é ‘Despacha o bebé, dá-lhe a sopa e a papa; e a seguir jantamos nós com calma’. Na realidade, não resulta. Porque nem é fácil ‘despachar’ um bebé, num processo que para ele é novo e de descoberta, nem é adequado, para a sua saúde, não deixar que o bebé guie o seu próprio ritmo, porque vai trazer consequências a curto e a longo prazo, como a obesidade infantil – que nem é das que tem pior prognóstico. Ou seja, não respeitar o ritmo e os próprios limites de saciedade e fome do bebé, pode trazer consequências importantes no longo prazo. No BLW vamos todos partilhar a refeição e incluir o bebé desde cedo nesse momento tão importante para o seu desenvolvimento, a vários níveis. E vamos poupar imenso tempo, na confeção – se soubermos como fazê-lo – e na partilha das refeições à mesa. E se o bebé precisar de mais tempo, isso não colide com os tempos dos adultos de forma tão impactante.

Portanto, o BLW é mais que um método para alimentar uma criança, na medida em que há dimensões que são tão importantes como os nutrientes em si: a forma positiva como se aprecia o momento da refeição, por exemplo, que influencia muito a saúde do bebé no futuro.

Não sei se dar de comer, é a mais bonita, entre as várias formas de amar, mas há muitas mães que acham que não são tão boas mães, se os filhos não comerem o que elas cozinharam com tanto carinho. Isso pode acontecer por imensas razões, que têm só que ver com o estado de ânimo da criança ou com o facto de ela estar com o desconforto próprio do nascimento dos primeiros dentes, entre tantas outras coisas. Nesse caso, temos que confiar na criança e pôr o nosso amor no ato de a compreender, em vez de no facto de ela não ter comido o que nós fizemos com tanto amor.”

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